terça-feira, 21 de março de 2017

Gíria, resistência e identidade

"O cantor e ator Sabotage, numa entrevista expõe com toda clareza a função da gíria nas favelas:
Sabotage: A gíria é uma coisa muito forte na favela. É uma forma de ter uma identidade entre os moradores de determinada região. Só quem é do lugar entende o que se fala. As gírias surgem também como forma de proteção. O traficante cria palavras para que outros não entendam o que ele está levando, essa coisas. Só que com o tempo isso vai se espalhando e, logo, até nos shoppings você vê gente falando palavras inventadas pelos traficantes."

Sobre a gírias nas fábricas:  "Mas independentemente deste fator objetivo, a linguagem do operário depende de vários fatores subjetivos. Ela tem seu estilo próprio. Sua construção de frases próprias. Depende da vivência e de suas reações como artífice, como construtor de tudo o que se vê no mundo. O operário, reunido no seu grupo natural, a fábrica, desenvolve sua linguagem própria. Linguagem que o identifica, igual ao seu macacão ou seu capacete. Linguagem que o defende dos de fora e lhe dá uma força que vem da sensação de pertencer a um grupo coeso, com uma vida parecida e interesses comuns. A força que vem do número. Do fato de serem centenas, milhares e até milhões."


 Trecho tirado do livro Muralhas da linguagem de Vito Giannotti

sexta-feira, 6 de março de 2015

O valor da linguagem





      Neste vídeo ele prossegue abordando sobre o valor da linguagem no mercado acadêmico -nas ciências, na literatura, na história e no mercado de trabalho.
      Com essas ilimitadas funções ditas no vídeo anterior, Fiorin ressalta "É muito pouco transformar a linguagem em algo que se resume a certo ou errado [...]o erro está ligado às esferas de circulação que são históricas, sociais que, como dizia Baktin, conectam a linguagem à vida" e mais, só para revisar, "a linguagem faz perceber o mundo, serve para transmitir informações, para influenciar e ser influenciado, para manter e criar laços sociais, é uma forma de ação no mundo, exprime uma identidade para o indivíduo e para o grupo,tem uma dimenção no sonho, na utopia, na política, assim, ser linguísta ganha uma transcendência e uma importância muito grante, por que é desse objeto que tem esse significado para os seres humanos que nós nos preocupamos" (FIORIN, 2012).

Afinal, para que serve a linguística???





        Fiorin nos fala, com sua voz gostosamente gesticulada, de quanta curiosidade a linguagem desperta na sociedade e como intensamente é sua presença em nós- nas nossas relações com o outro, conosco, com nossa história e percepção de mundo. Quanto á sua importância, relembra o quão antiga é a reflexão sobre ela, e afirmar ser em todas as sociedades, nos mitos sobre a sua origem e em como ocorreu sua diversificação.Elenca, também, algumas das múltiplas serventias dela: influenciar e ser influenciado, categorizar e apreender o mundo, transmitir informações, expressar a subjetividade, objetivar nossas sensações, manter laços sociais, falar da própria linguagem (metalinguagem), formar uma identidade social, criar outras realidades e até para não dizer nada.

"As experiências históricas de uma comunidade linguística criam determinados conceitos, esses conceitos só existem por meio de palavras, e uma vez criado, tornam-se coercitivos para qualquer indivíduo que fale uma língua que passa a apreender o mundo daquela maneira" (Fiorin, 2012).


sábado, 4 de janeiro de 2014

Novo Início

Calma que são muitas emoções! O ano acabou e foram várias novidades e abrir de mente. Agora vou pegar mais firme aqui :). Faltando 4 dias para o natal descolei uma viagem para o Parque Estadual Terra Ronca: descobri que não é um lugar fechado, tem várias chácara lá, algumas até que criam gado, não entendi bem a parada. Era um encontro do Kiune (sacou?), tipo um Rainbow (qualquer coisa procura no google). Foi bacana, conheci pessoas de vários lugares, reencontrei irmãos caminhantes e aprendi a fazer pão, lavar vasilha em lugares que não tem pia e me limpar com areia, fiquei viciada em reggae (apesar de ter sentido falta de umas músicas caipiras!!). Perdi a vontade de investir numa ecovila, exige-se muita paciência com o outro e consigo mesmo, não dá, muita gente está só na filosofia da contemplação e esquece que a comida chega com o trabalho humano. Conversando com uma senhora que tem chácara pela região, disse que tinha ido numa pousada tal e ela me alertou que a mulher que trabalha lá recebe R$ 30 reais para arrumar tudo sozinha e vai bem mais que 10 horas de trabalho pesado, o que deve ser uma realidade de muita gente da região. Bateu-me uma vontade de fazer o curso de Promotoras Legais Populares, creio que esse ano não vou deixar passar essa, revoltei-me muito com aquela situação e preciso de uma formação para encontrar uma forma de ajudar nesses casos. Esses casos me lembram que correr pro mato não é minha solução, há muito o que se fazer na cidade, no meu ver,muitos irmãos que sofrem exploração. Também no campo, é preciso estar atento a isso.
Eles são os verdadeiros guerreiros da terra,
que resistem ao dia a dia
e ainda vos dão bom dia!
Sempre na espera...
De um dia melhor
de um trabalho menos pior
onde se possa viver de amor sem medo de faltar comida amanhã


Que esse ano seja mágico!
Um viva ao ano do Cavalo!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Entoces a gente poderia arreuni?





Moro em Brasília desde os 7 anos, tenho conhecido tantas pessoas especiais nessa minha vida: que lutam por um mundo mais justo, que se esforça para ajudar o outro, que se esforça para entender os mistérios da vida. Muitas lutas, muitas finalidades, e eu às vezes me revolto com algumas, mas quem sou eu? Eu sei das regras? Não. Melhor ficar calada! ou falar e realmente descobrir que estou errada! Uma vez li num livro em que o professor de teologia explicava para a aluna o porque de o foco da igreja católica dever ser os pobres e oprimidos, e não, para onde vamos, quem somos nós, quais são as regras para entrar no céu e etc. Devido a ela dizer que a classe média também tinha problemas - problemas existências que mereciam atenção. Ele lhe falou: realmente, os dois problemas merecem atenção, mas um tem prioridade sobre o outro, quem tem o problema da fome, se não comer, vai morrer logo logo, enquanto que alguém com problemas existenciais, provavelmente não. Também ouvi uma amiga dizer que a umbanda vem curar os problemas das pessoas ocasionados por sua forma de vida e o espiritismo vem para ensinar as regras/ leis de como andar na linha. Lembro que há uns 2 mil anos atrás os católicos já diziam isso. Tenho pouca leitura sobre o espiritismo, mas o que conheço acho conservador e elitista. Será que só isso basta? Penso nas aulas de licenciatura da faculdade, da construção do sujeito sócio-histórico-cultural, da alienação, opressão a qual sofremos, das dúvidas antigas quanto ao homem nascer bom e ser corrompido pela sociedade ou ser mal e corromper a sociedade ou neutro. Pendo mais para o lado dele ser neutro, mas e as crianças superdotadas? e a questão da reencarnação? e crianças que mesmo não conhecendo os pais, tem comportamentos bastante parecidos com os deles? É difícil pensar em tantos grupos excluídos. E o motivo disso. O marxismo parece uma resposta mais, demasiadamente, mais coerentes, do que as de que temos que superar nossos limites, e que cada um recebe de acordo com o que merece. Somos muitos com vontade de mudança, será que não vale a pena pensar num mesmo foco? mas aí entra a questão das diferenças, dos vários caminhos e visões: do religioso, do comunista, do anarquista, do estudante, do intelectual, do revolucionário, do líder social, do hippie, do alternativo. Como é que faz? Não percebemos um mesmo inimigo, assim, não tentamos eliminá-lo, e então, nos espalhamos para corrigir os erros, limpar a sujeira, etc.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Começando a falar



O que é o ser humano? o que eu sou? o que é o mundo? o que meu eu representa? o que meus olhos veem? Para o que essas coisas servem? É tudo tão complexo, tão demasiadamente confuso, sinto a necessidade de organizar meus pensamentos para entender a mim e os meus arredores. Há temas que nos chamam mais atenção, onde a gente acha que teremos mais facilidade em encontrar o sentido ou explicação da razão de ser do mundo, os meus são: natureza, magia, espiritualidade, luta de classes, egocentrismos,ecologia, linguagem, símbolos, amor, preconceitos, antropologia, culturas, manifestações artísticas, astrologia, astronomia, cosmologia. Bem, talvez não exista essa resposta, a gente só vai até onde a mente alcança, e talvez a mente seja igual um balão, um saco fechado que se expande e retrai, mas sempre ensimesmado, sem poder saber o que tem fora dele. Porém, algumas reflexões são válidas, e nos ajudam muito a compreender certos fenômenos que acontecem na sociedade e no indivíduo, aí, contentemo-nos com isso.  Vou escrever sobre coisas que me deixam fascinadas, que fazem eu realmente querer estudar e viver, para esquecer daquelas sessões de torturas que é a sala de aula, nada contra os professores, mas esse modelo deveria ser extinto. Então é isso aí.



Até a próxima!!!