terça-feira, 21 de março de 2017

Gíria, resistência e identidade

"O cantor e ator Sabotage, numa entrevista expõe com toda clareza a função da gíria nas favelas:
Sabotage: A gíria é uma coisa muito forte na favela. É uma forma de ter uma identidade entre os moradores de determinada região. Só quem é do lugar entende o que se fala. As gírias surgem também como forma de proteção. O traficante cria palavras para que outros não entendam o que ele está levando, essa coisas. Só que com o tempo isso vai se espalhando e, logo, até nos shoppings você vê gente falando palavras inventadas pelos traficantes."

Sobre a gírias nas fábricas:  "Mas independentemente deste fator objetivo, a linguagem do operário depende de vários fatores subjetivos. Ela tem seu estilo próprio. Sua construção de frases próprias. Depende da vivência e de suas reações como artífice, como construtor de tudo o que se vê no mundo. O operário, reunido no seu grupo natural, a fábrica, desenvolve sua linguagem própria. Linguagem que o identifica, igual ao seu macacão ou seu capacete. Linguagem que o defende dos de fora e lhe dá uma força que vem da sensação de pertencer a um grupo coeso, com uma vida parecida e interesses comuns. A força que vem do número. Do fato de serem centenas, milhares e até milhões."


 Trecho tirado do livro Muralhas da linguagem de Vito Giannotti